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Ford aposta no Fusion híbrido no Brasil
27/7/2010
Pedro Cerqueira e Boris Feldman

Foto: Ford/Divulgação
A Ford não quer ficar atrás na investida dos veículos híbridos no Brasil, mas, por enquanto, conta apenas com o Mercedes-Benz S 400 Hybrid, recém-chegado ao nosso mercado. Promessas e especulações são muitas, como o Toyota Prius, mas o fabricante americano vai mesmo lançar a versão híbrida do Fusion neste semestre no Brasil.
Eleito o Carro do Ano no Salão de Detroit 2010 em seu segmento, o sedã tem boa aceitação nos EUA.
 
De pé  embaixo

Enquanto existe um “pé atrás” sobre a real vantagem de adquirir um veículo elétrico, em que ainda ficam no ar aspectos como autonomia e durabilidade da bateria, os híbridos se apresentam como solução intermediária porque usam, em conjunto com o motor elétrico, um outro a combustão. Quando chegar ao Brasil, ainda no segundo semestre, o Fusion Hybrid pode vir a ser uma opção mais acessível, já que o Mercedes-Benz S 400 Hybrid (até agora o único do tipo comercializado por aqui) é um modelo de luxo e que custa US$ 253,5 mil.

Ainda não se sabe por quanto será vendida a versão híbrida do Fusion no Brasil, mas nos Estados Unidos o modelo é comercializado a partir de US$ 27.270. Também conta a favor do preço o fato de o modelo ser fabricado no México, gozando, portanto, de benefícios fiscais de importação. Para alcançar seu aclamado desempenho e obter bons valores de consumo, 17,4 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada, a Ford garante que uniu as melhores características dos dois motores. A Ford divulga que a autonomia em circuito urbano é de 1.126 quilômetros.

O motor a gasolina é um quatro cilindros de 2.5 litros que gera 157cv de potência e 18,8kgfm de torque. Já o motor elétrico tem 107cv. O câmbio automático do tipo CVT (transmissão de variação contínua) garante trocas bastante suaves. O veículo ainda traz um sistema chamado Intake Variable Cam Timing (iVCT), que permite alternâncias suaves entre os motores elétricos e a combustão. Como o motor a gasolina é acionado a partir dos 75 km/h, é fácil rodar na cidade usando apenas o elétrico.

A bateria que alimenta o motor elétrico é de hidreto metálico de níquel, que reúne características como dimensões menores e com 20% a mais de potência em relação ao equipamento do modelo antecessor. O fabricante declara que foram feitas melhorias nas características químicas da bateria, permitindo que funcione em temperaturas mais elevadas. O componente é resfriado usando o ar vindo da cabine. O veículo ainda tem sistema regenerativo de freio que captura a energia da frenagem para carregar a bateria.

Big Brother

O painel de instrumentos traz duas telas de LCD, uma em cada lado do velocímetro analógico, em que é possível gerenciar melhor a energia disponível. A tela da direita mostra umas folhinhas que quanto maiores forem mais eficiente o motorista está sendo. Os displays mostram informações como o nível de combustível no tanque, a energia armazenada da bateria, consumo médio e instantâneo. Funções tradicionais como a rotação do motor, indicador de temperatura e computador de bordo também estão disponíveis. Seguindo tendência atual, as informações mostradas no painel são configuráveis, ou seja, é o motorista que escolhe as funções que mais lhe interessam.
 
 
Foto: Ford/Divulgação

Nas ruas

No começo do ano, durante o Salão de Detroit, foi possível dirigir o Fusion Hybrid num pequeno circuito. Como não foi possível empregar maiores velocidades, não pudemos avaliar quando o motor a combustão entra em funcionamento. O comportamento do motor elétrico se mostrou bastante adequado em velocidades menores, semelhantes às empregadas na cidade, com bom torque em todos os momentos. Num passeio breve, o que mais chama a atenção é o silêncio do motor elétrico e as novas funções do painel de instrumentos.

Híbrido de verdade

A Mercedes-Benz foi a primeira a importar um híbrido para o nosso mercado, o S400 Hybrid. Entretanto, enquanto essa versão do Fusion é capaz de rodar só com a eletricidade, o Mercedes é um automóvel a gasolina que, de vez em quando, recebe a ajuda de um pequeno motor elétrico, pois ele tem apenas 20cv de potência, incapazes de empurrar o sedanzão de duas toneladas. Mas é uma solução inteligente, pois a energia elétrica é toda gerada enquanto o Mercedes está reduzindo sua velocidade (mesmo princípio do Kers da Fórmula 1). Ou seja, a propulsão elétrica só é ativada quando o motorista pisa fundo no acelerador e os 279cv do motor a gasolina não dão conta do recado. Há uma redução de consumo e poluição, mas não é um híbrido dentro do conceito tradicional: ele não se movimenta só com a enegia elétrica.

O Fusion, ao contrário, é capaz de rodar só com eletricidade pois são 107cv disponíveis até as baterias se esgotarem.

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