A ideia nasceu de uma parceria entre o governo mexicano e as montadoras instaladas no país. Em pouco mais de seis anos foi possível renovar 3,4% da frota total de ônibus e caminhões e 6% da frota de veículos com mais de dez anos de idade. Dados da Secretaria de Comunicações e Transportes do México mostram que, entre abril de 2004 e maio deste ano, 13.819 veículos passaram pelo Programa de Chatarrización (sucateamento) adotado pelo governo local.
A experiência será mostrada pelo diretor-geral de transporte rodoviário do governo mexicano, Miguel Elizalde Lizagarra, durante o Seminário Internacional sobre Reciclagem e Renovação de Frota. O evento acontece na sede da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em Brasília (DF), no dia 12 de agosto.
O programa de renovação de frota foi iniciado na primeira metade da década. Tem como propósito retirar de circulação e garantir a reciclagem de veículos pesados rodoviários e urbanos, com redução da idade média de 17 anos para 6,5 anos até 2013. O arranjo envolve a concessão de benefícios fiscais às montadoras, por meio de crédito tributário que pode ser abatido do Imposto sobre Valor Agregado (IVA).
A inspiração veio de programas já adotados nos Estados Unidos e na Europa. Um dos alvos é a redução da poluição e dos acidentes provocados por veículos em mau estado de conservação.
As regras valem para caminhão-trator, caminhões simples de três eixos com peso bruto mínimo de 14,5 toneladas e de dois eixos com o mínimo de 11,8 toneladas, além de ônibus com capacidade para 30 ou mais assentos.
Para ter acesso aos benefícios do programa, o caminhoneiro autônomo deve procurar uma concessionária para escolher o modelo do veículo envolvido na troca. Iniciado o processo, o profissional é orientado a deixar o veículo antigo em um dos centros de sucateamento existentes no país, onde receberá um certificado que permitirá adquirir o novo veículo.
O valor envolvido na troca vai de 42 mil pesos a 140 mil pesos mexicanos, de acordo com o modelo, e não pode ser superior a 15% do veículo novo. Soma-se a isso o total em dinheiro do valor da sucata do caminhão. Fechado o negócio, o certificado emitido inicialmente pela concessionaria é entregue à montadora.
O pagamento pelo veiculo antigo garante a entrada para compra do novo veículo a ser financiado. Embora seja possível adquirir seminovos com até cinco anos, a maior parte dos financiamentos são de veículos zero quilômetro.