As apresentações de diferentes experiências empresariais na administração de resíduos sólidos em terminais rodoviários urbanos e interurbanos, ferroviários e aeroportuários marcaram a segunda parte da primeira reunião do grupo de trabalho que discute alterações na Resolução Nº 5 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O encontro acontece nesta quinta e sexta-feira (8 e 9), na sede da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em Brasília (DF).
Um desses relatos, feito pela gerente de Terminais da Rede Metropolitana de Transporte Coletivo de Goiânia, Wilma Rosa Avelar, mostrou o lado positivo de um gerenciamento bem sucedido – o do terminal-modelo Cruzeiro, na capital de Goiás. Com um fluxo mensal de 60 mil pessoas, o terminal processa um total de 300kg de lixo por mês, entre resíduos orgânicos e sanitários, e 200kg de lixo reciclável recolhido em coleta seletiva.
A ideia dos gestores em Goiânia é estender esse processo aos outros 13 terminais rodoviários urbanos instalados na capital. Wilma Rosa destacou o caráter educativo da coleta seletiva para os próprios usuários do terminal, pertencentes às classes D e E, com redução do volume de lixo a uma quantidade mínima de resíduos.
Situação inversa foi apresentada pelo engenheiro Carlos Henrique Távora de Andrade, do Sindicato das Empresas de Ônibus da Cidade do Rio de Janeiro, que mostrou as dificuldades de gerenciamento dos resíduos gerados em terminal interestadual administrado pelas empresas que usam as instalações.
Os problemas dos terminais interestaduais e intermunicipais no gerenciamento dos resíduos foram apontados também pelo diretor-superintendente da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), José Luiz Santolin, que denunciou a precariedade dos terminais do interior, administrados pelas prefeituras.
Mariana Saraiva, gestora ambiental da maior operadora de terminais rodoviários do país – a Socicam – citou como principais desafios dos administradores de terminais as deficiências da coleta realizada pelos órgãos de limpeza municipais, a ausência de cooperativas de catadores de material reciclável e os problemas de conscientização dos usuários quanto ao descarte dos resíduos.
As duas últimas apresentações também evidenciaram as dificuldades dos segmentos ferroviário e aeroportuário em lidar com os resíduos gerados nesse tipo de instalação. Alexsandro Sanches, gerente de Meio Ambiente da Ferrovia Centro Atlântica (FCA), falou da experiência da empresa na administração do volume gerado na operação de uma malha de quase 8 mil quilômetros em seis estados e no Distrito Federal.
Já o superintendente de Meio Ambiente da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), Mauro Cauville, destacou os problemas de interpretação das normas vigentes na administração de situações vivenciadas nos aeroportos administrados pela estatal.