Quem passa todos os dias pela Rodoviária do Plano Piloto talvez nunca tenha reparado num equipamento que fica na plataforma inferior, bem pertinho dos ônibus. Não é muito grande, mas tem muita importância para nós e para o planeta. É ele que mede a poluição no DF, desde 2005.
O acompanhamento é feito pelo Instituto Brasília Ambiental, o Ibram. Os dados mais recentes, do ano passado, não trazem boas notícias. Na Rodoviária e no centro de Taguatinga, a qualidade do ar foi classificada como regular. Quem apenas passa por aqui não é sente os efeitos, mas quem trabalha reclama.
“Sinto dor de cabeça, nariz entupido. Dá até ânsia de vômito e enxaqueca”, conta o vendedor Antônio de Almeida.
O Ibram tem sete medidores de poluição. Além da Rodoviária, a qualidade do ar também é monitorada na W3 Sul, L2 Norte, em Taguatinga e na Fercal. Só na Fercal são três equipamentos; justamente onde a poluição é maior por causa das fábricas de cimento.
“No caso da Fercal, a qualidade do ar em alguns locais foi classificada como ruim. Isso afeta toda a população. podendo acarretar tosse, cansaço, dor nos olhos, falta de ar e gerar também outros problemas cardiorespiratórios”, afirma a assistente de monitoramento do Ibram Leilane Lara Moreira.
O estudo detectou gases como dióxido de enxofre, nitrogênio, monóxido de carbono e ozônio. A medida padrão de qualidade de ar é de 80 unidades gravitacionais por metro cúbico. Na Fercal, esse número chegou a 176. Na Rodoviária, a 100. O estudo vai ser um aliado no combate a poluição.
“Esse cuidado não é importante apenas para o país, mas para o planeta”, acredita o economista Antônio Peixoto. “Precisamos estar atentos, para nós mesmos e para as próximas gerações”, acrescenta o comerciante Marcelo Lima da Silva.
Cada um pode tentar ajudar a melhorar o ar no DF. Fazer a manutenção regular do carro, trocar filtro de ar, catalizador são algumas dicas. O Ibram também já está em contato com o Detran para implantar o Programa de Controle de Emissão dos Gases dos veículos em uso no DF.