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Tecnologia eficiente
7/6/2010
Ildo Sauer*

A perspectiva de exaustão definitiva do petróleo convencional, com a tendência a manter preços elevados, próximos dos custos da alternativa, e a preocupação com as emissões de gases poluentes em âmbito local (qualidade do ar) e global (efeito estufa) abrem possibilidades concretas para o veículo elétrico.
           
Em termos de eficiência da cadeia de conversão energética, o veículo elétrico possui grande vantagem quando são computados os rendimentos nos processos. Os motores a combustão interna têm rendimento próximo a 40% quando operados no ponto ótimo. Porém, na operação real do veículo em várias marchas, o desempenho cai substancialmente, para algo próximo de 25%.
           
Os veículos elétricos têm rendimento superior a 90% no motor e a 80% nas baterias, resultando em rendimento global superior a 72%, permitindo ainda a recuperação da energia de frenagem. Assim, se o combustível utilizado no veículo fosse convertido em eletricidade em uma usina, com rendimento de 55% e perdas de 10% na transmissão até o posto de carregamento, o rendimento da cadeia global seria superior a 35%.
           
Acima de tudo, porém, em países como o Brasil, a eletricidade pode ser gerada por fontes renováveis como a hidráulica, a eólica e mesmo a solar fotovoltaica.
           
Em termos de custo para o consumidor, a opção elétrica tende a ser vantajosa, mesmo que o país tenha hoje uma das tarifas mais caras do mundo.
           
Um litro de gasolina contém 12 kWh, que, com rendimento de 25%, produzem cerca de 3 kWh mecânicos, ao custo de R$ 2,50. Um kWh elétrico custa aproximadamente R$ 0,45 e, com rendimento de 72%, os mesmos 3 kWh mecânicos custariam cerca de R$ 1,90.
           
A questão então passa a ser a estrutura que garanta confiabilidade e durabilidade das baterias, agilidade para carregamento ou troca e sua reciclagem.
           
Soluções podem ser visualizadas: postos de serviço de trocas de baterias padronizadas, garantidas pelos fabricantes dos carros, a exemplo do que acontece com botijões de gás de cozinha.
           
Candidatos a prestadores do serviço poderiam ser os postos de combustível, que ampliariam seu escopo, livrando-se da ameaça da mudança de paradigma.
 
Tanto para a produção dos veículos quanto para a rede de serviços, a questão da escala é essencial, e, para atingi-la, a nova cadeia precisa tomar o lugar da indústria estruturada em escala global há mais de um século.
           
Mecanismos regulando a qualidade do ar e incentivos para redução de emissão de poluentes podem contribuir para acelerar o processo e constituir o pontapé inicial para o ganho de escala.

*Professor titular do Instituto de Eletrotécnica e Energia e  coordenador do curso de Pós-Graduação em Energia da USP

Folha de São Paulo

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